sexta-feira, 19 de setembro de 2014

OUTSIDER

Quem? Quem não se sente do outro lado, do lado. Quem? Quem não percebe ou vê o que quer? Quem?
Ando desde sempre do outro lado. Do lado de lá. Do lado da vida.
Quem vivendo como artista vive? Sempre do outro lado. Lado.
Quem? Mesmo em um mudo tão programado não se reconhece como estando do outro lado?
Quem?
Assim como você, eu: Outsider.

Soir Bleu, 1914, óleo sobre tela, (1,4x182,9 cm) - Edward Hopper.

sábado, 31 de agosto de 2013

REFLEXÃO / REFRAÇÃO

Havia um tempo em que a reflexão fazia parte dos meus dias... A energia sempre mudando de direção e pontos sempre buscando uma simetria utópica, em uma lógica refratária. Entre reflexões difusas ou especulares o que comanda ao fim são ondas, direções, situações onde a estrutura se modifica. Complexo sistema este da reflexão. A refração modifica mas, é geométrica e estável. Nem tudo pertence a uma simples relação de simetria, um tanto reflexivo. Em tanta matemática, pouco prática em seus subjetivos objetivos, aguardo intacta sempre em reflexão/refração.

Quebramos a direção correta, sempre mudando de meio, de velocidade e mudando as distâncias. Modificamos mas, persistimos na condução e aceitação das regras. Ao invés de luz apenas uma reta distorcida e desencontrada. Penso que refletir é mera refração, então, pouco a discutir ou a definir. É fácil se enganar ao observar o que se reflete. A luz nunca termina, ganha forma, espaço, cor, transmuta imagens e modifica sentidos. O que reflete refrata, instantaneamente visível, por isso de tanta reflexão/refração.

Planeta Rosa descoberto pela NASA.

domingo, 25 de agosto de 2013

Hoje acordei com uma sensação de medo. Medo da vida que é curta e repleta de imprevistos. Medo da dura percepção de que a vida é mais real que a realidade. Que oitenta, noventa, cem anos é pouco para tanta coisa, mas, que às vezes este pouco é abreviado por um instante, um breve instante...
Nestes últimos dias a minha vida passou pelos meus olhos como um filme. Quanta coisa boa esquecida, quanta coisa ruim que não sai do pensamento. Mas, o medo sempre está presente, às vezes quase imperceptível, outras vezes monstruoso e aterrorizante. Comecei a refletir sobre coisas básicas: um telefonema que deixamos de fazer a alguém que gostamos; um filme que queremos muito assistir, mas não dá tempo; um dia que queremos ficar na cama; um sorvete que não tomamos porque engorda... Porém o medo esta lá sempre, rondando a porta.
Quantos abalos mais terão que acontecer para descobrir que somos frágeis, mortais, pouco adaptados, humanos. Quantos absurdos mais teremos que viver, a cada dia, para lembrar que somos egoístas, invejosos e pouco solidários. Até quando vamos colocar todas nossas expectativas no mundo externo e continuar acreditando que a resposta para a questão se encontra em alguma página de um livro que ainda não lemos.

Não existem respostas, ou talvez, façamos as perguntas erradas. O vazio é enorme e a angustia profunda. Sei que a vida é curta, que vamos continuar errando. Só queria dizer que não devemos ter medo e se tivermos ele não pode nos paralisar a ponto de deixarmos de viver. O que posso dizer dessa semana é que a realidade é tão real que faz doer à carne, é tão real que me fez compreender a alma. E que é por isso que neste mundo que chamamos de Terra precisamos de tanta coisa externa a nós, porque a realidade ultrapassa qualquer barreira, qualquer sonho, qualquer imagem.

O Grito II, 1893 - Edvard Munch.
(Óleo sobre tela, têmpera e pastel sobre cartão)
Galeria Nacional, Oslo - Noruega.

terça-feira, 9 de julho de 2013

...

Ainda amo, mas, não deveria.
Ainda amo, mas, não deveria.
Ainda amo, mas, não deveria.
Ainda amo, mas, não...
Ainda amo, mas, não...
Ainda amo, mas, não...
Ainda amo, mas...
Ainda amo, mas...
Ainda amo, mas...
Ainda amo...
Ainda amo...
Ainda amo...
Ainda.
Litogravura (Louise Bourgeois)

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